Vou apenas tecer alguns cometários desalinhados:
1) Em primeiro lugar, a emocao foi muito, muito grande. Parece óbvio, mas nao é. Podia ser que nao correspondessem ao vivo, ou que nao conseguim transportar a grande intensidade do estúdio para os palcos. Basta lembrar que o disco ao vivo, Vital, é um dos mais fracos da discografia prog ao vivo.
2) A voz de Peter Hammill continua maravilhosa. Há muito tempo escrevi, depois de escutar o Present, que sua voz me soou cansada.... Nao sei de onde tirei isso. Sua voz cresceu com o tempo. Prova disso é que as músicas, mesmo as novas, sao, de fato, compostas em torno de sua voz. Algumas músicas, como "Undercover Man" e "Sleepwalkers" (até a metade) sao quase que inteiramente declamadas por ele.
3) Sim, Jackson faz uma falta enorme, enorme. NO ENTANTO, os 3 lá estao, dando tratos aos instrumentos para suprir sua falta. Hammil está tocando mais guitarra, coisa que nunca foi seu forte, e Hugh continua se desdobrando nos teclados e pedais. No show de ontem, logo no comeco, gritaram "Where is Jackson?", o que achei bastante rude. Peter limitou-se a dizer que Jackson nao tocava as músicas novas (ele acabara de tocar uma inédita e iria tocar outra...). Já outras músicas, como "Killer", parecem mesmo impossíveis de serem tocadas sem o sax. Eu mesmo pedira (ingenuamente), no primeiro show, por "Killer" (sem a menor intencao de ser rude), mas Peter limitou-se a responder "No, no".
4) Os 3 sao extremamente tímidos. Peter chega mesmo a evitar contato com os olhos, e só mesmo lá para o meio do show, depois também de algum vinho, é que se arrisca a tentar interagir. Mas isso é irrelevante.
5) Embora nao pareca (pelo menos nunca tinha percebido isso), Guy Evans é um monstro de baterista...
6) As músicas novas, inéditas, sao todas excelentes, ainda que "A lifetime" soe um pouco simples demais para os padroes vandergraffianos.
7) O público, apesar daquela pequena excecao que citei, é extremamente respeitoso e aficcionado. Durante o bis de ontem, quando tocavam nada menos que "Still Life", podia-se ouvir um alfinete cair. Parece que há mesmo que segurar a respiracao para ouvir Hammill cantando "Hers forever, hers forever..."
8) NMHO, a banda atravessou o tempo de maneira inacreditável. Peter é um dos pouquíssimos artistas que conheco (e aqui penso também em escritores e pintores) que nao fizeram, jamais, concessoes. É fiel a si mesmo, sem que isso signifique, absolutamente, repetir-se.
9) Sim, o VdGG é eterno e sua obra há-de permanecer como testemunho do que a paixao unida à inteligência pode criar