Tuesday, October 12, 2021

Os Azulejos de Paudalho

 


Meu destino era São Severino de Ramos, como que distrito (não é) de Paudalho. Então, depois de conhecer aquele, percebi que dava para conhecer esta, afinal me conduzia taxista paciente.

Eu já pesquisara sobre o patrimônio histórico de Paudalho. Gostei. Mas não esperava fosse encontrar,  ao alcance de poucos passos, tanta casa azulejada. Era uma sexta-feira agitada, com filas de carros e pedestres para vacinação, e eu lá, sem roteiro prévio e ao fim, ao que parece, rapidamente capturei o que havia de capturável: nove edificações revestidas de azulejos, alguns raros, incluindo um sobrado e o mercado municipal.

A coincidência, sempre presente, fica por conta do seguinte: animado lá com os achados, pensei 'Caramba, tenho agora que comprar aquele livro sobre azulejaria civil em Pernambuco que deixei passar num sebo de Pinheiros'. Pois bem: ao voltar, comprei o livro, que chegou em dois dias. E em que pesem tantos azulejos maravilhosos em Recife e Olinda, o que está na capa? Justamente as peças que mais me encantaram nesta pequena cidade da Zona da Mata pernambucana. Que visitei meio por acaso, pois meu destino era São Severino de Ramos. Talvez fosse ele já -- o Severino -- operando milagres.


Dois padrões distintos, exclusivos


Raros azulejos franceses


Raros portugueses emolduram linda janela


Outro padrão raro, só repetido numa casa em Olinda



Idem. Padrão só repetido em Boa Vista, Recife







Thursday, August 26, 2021

12 MÚSICAS PARA SE CONHECER OS CANTAUTORI PROGRESSIVOS ITALIANOS


Optei por escolher apenas, como diz o título, os cantautori.  Isso explica a ausência de um Mauro Pagani (e seu ótimo homônimo de 1978), de um Giuseppe Banfi, de um Alberto Radius e do Demetrio Stratos, que pertenciam ou pertenceram a bandas (coisinhas bobas como PFM, Biglietto per L'Inferno, Formula 3 e Area, respectivamente) e porque, er, não eram cantautori (singer-songwriter) no sentido estrito. Luciano Basso tampouco o é, mas fez álbum bem progressivo e nunca foi de banda, por isso a inclusão.

Sabemos que um disco de rock progressivo, ainda mais do rock progressivo italiano clássico, demanda uma boa produção, uma banda coesa e azeitada. São esses problemas geralmente encontrados nesses trabalhos, em que amiúde se percebe a falta de uma banda consistente por trás. Não estou dizendo que um bom cantautori não possa fazer um bom, um ótimo disco! Isso seria dizer que Chico Buarque não poderia. Mas me parece que a participação meio que esporádica de um músico aqui, um músico ali (un piccolo aiuto dagli amici) se pode não atrapalhar um disco de canções (e se sente que muitas vezes os discos aqui citados caem nisso, o que é tradição na Bota), pode dificultar a realização de um trabalho progressivo. 

Todas as músicas citadas são ótimas. Com o mérito de serem de cantautori, podem sentar-se ao lado de qualquer uma do Banco, do Museo, do Reale. Exagero um pouco? Sim, me permito.

Preludio - Luciano Basso

Fenomenologia -- Battiato

Una Poltrona - Lucio Battisti

La Macchina del Tempo - Pierpaolo Bibbò

Memoria - Enzo Capuano

Corpi di Creta - Riccardo Cocciante

Sognando Rosanna - Gianni D'Errico

Giusto Sig. K - Claudio Fucci

Vent'anni di galera - Mauro Pelosi

Volo Magico 1 (trecho) - Claudio Rocchi

Vorrei Incontrarti - Alan Sorrenti

Ninna Nanna - Stefano testa 

Bonus Track:

Sidùn - Fabrizio de André (e Mauro Pagani)




 










Saturday, August 14, 2021

12 MÚSICAS PARA SE CONHECER A CENA PROG DE QUÉBEC

A cena progressiva canadense não se resume ao Rush, tampouco a cena progressiva francófona de Québec se resume ao Harmonium. Embora haja muitos elementos em comum, sendo o uso do francês presente em todas as bandas, não sei se dá para falar num estilo de prog de Québec, mas isso não interessa muito. Interessa que tenha muito para se explorar. Assim como na postagem passada, só citei o que gosto muito. Como gosto muito muito do Harmonium, citei duas. Poderia citar mais. Aliás, se só houvesse o Harmonium, a cena de Québec já seria a minha segunda preferida. =)

“Vieilles Courroies” – Harmonium

“Cocktail” – Morse Code

“La Femme Ailée”  – Pollen

“Dimanche“ – Jacques Tom Rivest

“Les Épinettes”  -- Maneige

Jos Coeurs (Fermeture) – Contraction

Genocide – Les Séguin

Checkmate – Miriodor

“La Bataille” – Conventum

“Potage aux herbes douteuses  – Sloche

“L’intersection”  -- Bregent

“Depuis l’automne” – Harmonium


 

 

 


 










Friday, August 13, 2021

12 MÚSICAS PARA SE CONHECER O KRAUTROCK

Tem muita compreensão equivocada por aí sobre o que é krautrock. Antes de mais nada, sim, o termo original é depreciativo, xenofóbico, da imprensa anglófona que queria o rock progressivo só pra si. Queria o rock só pra si. Mas houve uma apropriação como resposta, assim como no futebol o vascaíno incorporou o bacalhau, o palmeirense, o porco etc. Basicamente, não basta ser rock progressivo da Alemanha pra ser krautrock, assim como não basta ser rock progressivo feito na Itália para ser rock progressivo italiano e tampouco basta ser rock progressivo sueco pra ser progg com dois gês. O próprio livro que ilustra esta postagem lista o Nektar e o Grobschnitt como bandas do estilo, mas não são. Não quero com isso fazer um juízo de valor. O Pell Mell, uma das minhas bandas alemães favoritas, não é krautrock. Eles fazem (maravilhoso) prog sinfônico. Esta lista, pois, quer exemplificar o estilo, e ao fazê-lo, defini-lo, daí eu não ter definido com palavras.

Não é lista do melhor do krautrock, mas sim de músicas que julgo bem representativas. Escolhi citar apenas uma música por banda ou isto aqui ficaria cheio de Can. Em que pesem as músicas do Ash Ra Tempel e do Sergius, evitei citar o que considero eletrônico (historicamente kraut apenas no início do movimento), daí as ausências do Tangerine Dream e do Kraftwerk (este eu deixaria de fora anyway).

Sem ordem de preferência (mas o Can é o primeiro).

 CAN - "Halleluwah"

FAUST - "Picnic on a Frozen River, Deuxième Tableau"

NEU! - "Weissensee"

AMON DÜÜL II - "Halluzination Guillotine"

GURU GURU - "Ooga Booga"

HARMONIA - "Ohrwurm"

GILA - "Kontakt"

SERGIUS GOLOWIN - "Die Weisse Alm"

ASH RA TEMPEL - "Jenseits"

FLOH DE COLOGNE - "Profitgeirt"

POPOL VUH - "Aguirre"

OUT OF FOCUS - "Blue Sunday Morning"

 












Friday, August 06, 2021

Three of Us


 

Esta foi a primeira viagem que fiz com Dante. Ever.

 Teve uma quando ele tinha 1 ano para São Paulo. Mas foi para levá-lo ao médico, isso nem deve contar com viagem. E tudo foi absolutamente infernal

Como me preocupei com esta. Com o avião, com os restaurantes. Como foi? As fotos falam, sim, por mil palavras

Sabemos estamos ainda numa pandemia. Munimo-nos de precauções, antes, durante, depois. Temos um pequeno autista em casa. Que viveu em isolamento social, sem escola, sem atividades, sem ajuda externa, por ano e meio. E agora continuamos

Da trilha-sonora:  Dave Matthews Band + Alagoas = you can't go wrong




Saturday, July 31, 2021

Dona Traíra, Alagoas



 

Alagoas é um pequeno estado do tamanho do Haiti, pouco maior que o pequenino Sergipe, sua forma lembra a de um bumerangue. Disse-me (uma alagoana) que é o estado brasileiro com maior número de folguedos. Pode ser. Quando visitei em 1993, minha intenção principal era conhecer bangüês, o que de certo modo fiz em São Luiz do Quitunde e Porto Calvo. Desta vez meu objetivo era ir à praia com o Dante e tomar caldinho de sururu. E conhecer Dona Traíra.

Dona Traíra, née Maria Benedita dos Santos há 66 anos, mora em Poxim. Segundo ela, antes que o Poxim existisse. É ela quem organiza e mantém vivo o misterioso folguedo do Mané do Rosário, que só existe lá e que se apresenta no velho povoado na Festa de São José, orago da linda capelinha. Só a a capela já paga a visita a Poxim. 

Dona Traíra paga a viagem às Alagoas.

Gravamos três vídeos: no primeiro, explicando que não há cantos no Mané do Rosário, ensina as palavras que sempre diz ao final. No segundo fala da origem do seu nome. No terceiro, da origem do folguedo.

 


 






Thursday, July 29, 2021

Palmas para o Rock Progressivo IV

Enfim a quarta coletânea de palmas, uma seleção pra lá de variada, como sempre. A segunda e a terceira estão aqui.

 

Do ótimo Live at Sunrise Studio (1976) da suíça Kedama, temos bem ritmadas, muito percussivas. Tem estalar de dedos também!


Nas duas músicas de fatura folk desta obra-prima que é o Alturas de Macchu Picchu (1981), do Los Jaivas. As duas músicas que eu não gostava quando comprei o disco, back in 1985, e hoje amo tanto quanto "La Poderosa Muerte":


 


Esta linda balada do Claudio Fucci, que abre seu disco homônimo de 1974, também tem:


A lindíssima "Folk Song", que mais parece uma sinfonia, tem palmas lá nos 8'30''. Influências (1981), do Marco Antônio Araújo

Porcupine Tree nos mostra em "Trains", do soberbo In Absentia (2002), que as palmas no rock progressivo não se restringem ao século passado:


Dante, Chef Jonatas : Akuaba, estamos abertos

Quem resume muito bem o que é uma saída com filho autista é Luiz Fernando Vianna, quando constata ser "desgastante sair com seu filho para um passeio e se sentir alvo de olhares, nem todos generosos". Se num passeio, digamos, pelo calçadão, pode-se cruzar com um desses olhares pouco generosos e seguir adiante, sentar-se num restaurante pode ser bem mais difícil.

Embora Dante e eu já tenhamos o hábito de entrar em lanchonetes para um sorvete ou mate, as experiências em restaurantes, quando tentei uma refeição juntos, foram poucas e todas péssimas: ele numa de suas crises clássicas que não tem santo que dê jeito. 

Restaurantes normalmente são tidos como espaços sacralizados, onde uma refeição ganha contornos de missa ou de concerto de cravo. Se o celular da mesa vizinha pode deixar clientes mal-humorados, ruídos de crianças nem se fala. Seriam muitos olhares pouco generosos. Ainda mais porque o primeiro movimento é sempre o de considerar a criança mal educada, sem modos, o que divide esses olhares mortais como pistolas entre as crianças e seus pais, que não sabem controlar a prole.

A semana nas Alagoas trazia esse desafio: não seriam duas ou três, mas pelo menos oito idas a restaurantes, mesmo porque Camila e eu consideramos as refeições um dos pontos altos da viagem e não queríamos fosse diferente. Queríamos provar a melhor casquinha de siri do Brasil, o autêntico chiclete de camarão, ir a um Boa Lembrança, eu precisava voltar a tomar caldinhos de sururu, passados trinta anos. E Dante incluso.

Bem.

Os caldinhos de sururu estavam divinos (como pude esperar trinta anos?), a casquinha de siri do Massagueirinha é para comer rezando, o chiclete de camarão logo grudou-se à nossa memória e a experiência no Akuaba, restaurante afro-baiano aonde fomos para nosso pratinho da Boa Lembrança, já mora em nossos corações e não apenas pela moqueca deliciosa.

Dante sempre tem que conhecer o banheiro dos lugares. No Akuaba, no caminho deste estava a cozinha aberta, onde o chef Jonatas pilotava as panelas e finalizava a montagem de um prato. Dante gostou daquilo, sentou-se para ver, ainda mais porque tinha frigideira na jogada. Percebendo o interesse do pequeno, Jonatas perguntou-lhe o que ele gostava de comer. Dante respondeu-lhe em dantês: a mão esquerda batendo sobre a direita fechada. Traduzi: ovo. O chef então carinhosamente preparou-lhe dois. Para dois meninos fascinados. Não sei se foram os melhores ovos da vida para o Dante, foram os melhores ovos da vida do Dante para mim. Jonatas fez com que os ovos fossem acompanhados de purê, fez também com que tudo fosse cortesia. Voltamos para mesa e Dante devorou a refeição em um minuto.

Pode parecer exagero, deslumbre talvez. Trata-se de um pequeno ato enormemente significativo cuja mensagem é 'Venham, tragam seus filhos autistas, estamos abertos'. Para os autistas isso diz muito, para cuidadores que já decidiram não esconder esses pequenos no porão, também. Aliás, não por acaso 'akuaba' significa 'bem-vindo' em iorubá.

 


 




Wednesday, July 28, 2021

VIVENTES DAS ALAGOAS


 

Volto a Alagoas passados quase 30 anos, em viagem que trazia grande desafio, pois levei o Dante comigo. Disto -- viajar com o Dante -- falarei um pouco mais acima, em outras postagens. Esta quer apenas deixar o registro de alguns viventes que por lá encontrei, Dona Traíra o encontro mais perfeito e feliz.


Marechal Deodoro

Marechal Deodoro

Poxim

Poxim

Poxim

Poxim

Pontal do Coruripe

Praia do Francês

Pajuçara

Poxim



Saturday, July 17, 2021

O Progressivo num Estalar de Dedos

Já estava para fechar mais uma série de rock progressivo com palmas (exemplos aqui e aqui), quando me deu um estalo: se é pra falar de mão como instrumento, por que não juntar músicas com aquilo que é tão querido pelos métodos audiolinguais mundo afora, o estalar de dedos?

Num estalar de dedos, lembrei da Þursaflokkurinn, também conhecida como Hinn Íslenzki Þursaflokku, da minha querida Sigmund Snopek III e uma tal de Gentle Giant (em quem, aliás, o Þursaflokkurinn mais que bebeu, embebedou-se). 

 

Na música  "Frá Vesturheimi, do álbum Þursabit (1979) a gente acha que com aquele clima de baixo e pratos, lá pelos 3'30'', só cabia mesmo estalar de dedos.

Do idiossincrático Sigmund Snopek III, do disco Seas Seize Sees (1974), do qual só eu pareço gostar no Brasil, a música "Arrival Boogie" (0:46).

 


 

Não preciso nem dizer onde ficam os dedos em "Just the Same", música que abre o Free Hand (1975) do Gentle Giant. Também tem palmas ótimas



Não é prog, but (estalos misturados com palmas)




Thursday, July 01, 2021

O Miliciano era Corrupto


Cito sempre o Léxico Familiar, da Natália Ginsburg, um dos livros da minha vida por me ajudar a entender perplexidades

Minha vó Mira tinha uma frase que eu reconheceria na escuridão de uma gruta. Em meio a muitas outras vozes simultâneas. Ela, que era suave e doce, dizia às vezes áspera: "Ah, não!", quando indignada. Incorporei. Eu falo isso até hoje (falei hoje), todo dia


Então deixa eu pegar essa voz mais uma vez: "Ah, não!" Então o verme genocida misógino miliciano racista homofóbico classista era também.... corrupto?! Ah, não!


A Natália:

Somos cinco irmãos. Moramos em cidades diferentes, alguns de nós estão no exterior: e não nos correspondemos com frequência. Quando nos encontramos, podemos ser, um com o outro, indiferentes ou distraídos. Mas, entre nós, basta uma palavra. Basta uma palavra, uma frase: uma daquelas frases antigas, ouvidas e repetidas infinitas vezes, no tempo de nossa infância. Basta nos dizer: "Não viemos a Bergamo para nos divertir" ou "O que é que o ácido sulfídrico fede", para restabelecer de imediato nossas antigas relações, nossa infância e juventude, ligadas indissoluvelmente a essas frases, a essas palavras. Uma dessas frases ou palavras faria com que, nós irmãos, nos reconhecêssemos uns aos outros, na escuridão de uma gruta, entre milhões de pessoas. Essas frases são o nosso latim, o vocabulário de nossos tempos idos, são como os hieróglifos dos egípcios ou dos assírio-babilônicos, o testemunho de um núcleo vital que deixou de existir, mas que sobrevive em seus textos, salvos da fúria das águas, da corrupção do tempo. Essas frases são o fundamento de nossa unidade familiar, que subsistirá enquanto estivermos no mundo, recriando-se e ressuscitando nos mais diferentes pontos do planeta, quando um de nós disser -- Ilustre senhor Lipmann --, e logo ressoar em nossos ouvidos a voz impaciente de meu pai: -- Parem com essa história! Eu já ouvi isso mais de mil vezes!

Monday, May 31, 2021

Vanda Spinello, Capista do Rock Progressivo Italiano


A minha capa preferida do rock progressivo italiano é a do meu disco preferido do rock progressivo italiano. Não é marmelada. Sempre me fascinou, me perturbou essa colagem disforme, variegada, a que não falta a cara do Bufão mussolini. A contracapa não é menos perturbadora: aqueles braços cruzados: o empresário que esmaga outro (concorrente? sócio?) por cima do braço macilento onde se injeta heroína.

O disco mais oscuro do Formula 3, o Sognando e Risognando, também tem capa perturbadora: aquela roda abrindo o corpo da ragazza. Tortura.

Mesmo uma banda mais doce, digna mesmo do adjetivo pastoral, a Reale Accademia di Musica (top 5), tem trabalho gráfico que não se limita à marionete: o porco, o açougue, a faca, sangue. Na parte interiror o mesmo porco toca violino.

Por trás dessas três capas, um nome: Vanda Spinello, às vezes Wanda. Pelo volume de trabalho, pela presença marcante em discos seminais do movimento, está para o prog italiano como Roger Dean e Paul Whitehead estão para o inglês. Não pela temática, como ficou provado.

Achou pouco? Spinello é responsável ainda pelas capas dos dois primeiros do Premiata, bem como pelo Darwin! de um certo Banco del Mutuo Soccorso e pelo Melos, do Cervello. Também fez a do Il Grande Gioco, do Albero Motore.

Numa entrevista, Vanda Spinello afirma ter feito umas 250 (!) capas de disco. Uma coleção que certamente vale a pena, ainda que o ideal mesmo fosse visitá-la e encomendar-lhe um retrato do Dante.


 









A entrevista pode ser vista aqui.