A Curtume Carioca fechou, muitos botecos fecharam, e a violência já comeu muito solta por lá. É pena. A igreja, onipresente, ficou para outro dia. Uma penca de casinhas interessantes. Alguns Antonio Igrejas, sendo um absolutamente fantástico, que paga a viagem. O Bar São Basílio também paga a viagem, e ainda tem a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora Desatadora dos Nós, de quem o Papa Francisco é devoto, e grafites do Alberto Serrano.
Coleciono fotografias. Tenho um Marcos Prado da série Free Tibet, um Ripper (grande Ripper) com índios brasileiros, um Luiz Frota quando este ainda era meu aluno particular, bem antes de fazer este espetacular ensaio sobre a chegada do wi-fi em Cuba (ver aqui) e ainda uma coisa e outra. Não tenho um Miguel Rio Branco porque, quando corri atrás, a galeria achava que suas fotografias eram telas, as quais, a propósito, já são amiúde superfaturadas.
Hoje a coleção ganhou foto do Eric Licen, fotógrafo paulistano cujo trabalho anda em destaque nas mídias virtuais.
Eric, de olhar atento e rebelde, vive a fotografia 24 x 7. Deixem-no solto na rua, num mercado, num boteco, em meio a ruínas e terão dezenas talvez centenas de registros. Eric gosta da presença humana e talvez melhor se ela vem numa poça d'água, numa sombra, num reflexo, num bicho. Às vezes acho que ele carrega nos tons escuros. Peço-lhe então que ouça menos doom e volte olhos e ouvidos para o Jethro e o Renaissance. Ele promete que vai.
Há mais de dois anos escrevi aqui sobre o Stand Up, pois o Ian Anderson autografara o encarte do meu Cd remasterizado para o Dante.
Ontem foi algo mais, o que pede postagem nova: enquanto o autógrafo para o Dante chegou-me às mãos via Camila, ontem não houve mediação, de vez que enfim conheço a lenda, almoçamos juntos, eu, ele e, claro, Camila.
Acho que nem eu nem ele queríamos conversa de tiete, que disso ele já está cheio e eu mesmo, em que pesem minhas admirações e paixões confessas e explícitas, não levo muito jeito. Foi almoço de conversas, mas ao final, claro, registros.
Algumas incidências aqui. Comprei o Stand Up em uma manhã de maio de 1982. Era Dia das Mães. O disco não era para ela, que já ganharia um caleidocópio, mas era Dia das Mães e a última linda música do álbum se chama... "For a thousand mothers". E em 2015, ano em que ela se foi, conheço o Ian.
Com fotos oscilantes entre retrato espontâneo e retrato posado, a série continua (ver aqui), em qualidade menor, de vez que já não uso meu querido Nokinha 1020. Sigh... Faz-se o possível.
Cheguei ao botequim de Pilares atrás do afresco de São Cosme e Damião e encontrei não apenas eles, mas também o Doum e a baiana devota, faladeira e simpática. Em Thomaz Coelho descubro não apenas notável balcão de mármore encimando azulejos azul / azul piscina, como também o ótimo e zen Fernando. Em Piedade o dono paraibano exibe orgulhoso suas paixões clubísticas. O leitor atento descobrirá que ele não é apenas bígamo, mas trígamo, olha o Treze lá ao fundo....
Já o Seu André, botafoguense roxo de Triagem, tem mais sorte :: ganhou post exclusivo aqui.
Mexendo em fotos do Andaraí, em busca de um registro de azulejos com motivos holandeses, dou-me conta de que tenho material para pequena seleta, com minhas obsessões contumazes: azulejos, pisos, botequins e coisa e outra.
Morei no coração do bairro, em frente ao grande hospital, por apenas cinco anos, de 1980 a 1985, mas aqueles cinco anos que vão de meados do sétimo ano (então sexta série) até quase o final da escola, ou seja, cinco anos onde cabem cinquenta.
Em uma das fotos, stêncil do hoje amigo e cervejeiro do Grajaú, o Rodrigo Fleck. Em outra, aparece a mãe, num dia mítico em que andamos da pracinha do Graja até a Rua Uruguai. E depois fomos pro show do Pearl Jam.