Sunday, May 17, 2015

Tu tá esperando o bonde? ::: CAN!!


The Lost Tapes é, no mínimo, o óbvio :: a oportunidade do CAN inédito. Na singela canção "Waiting for the streetcar", Suzuki canta o refrão 'Are you waiting for the street car?' 128 vezes. 128 vezes completas. Canta "waiting for the street car" outras 47 vezes e "Are you" mais 6. Se uma das marcas registradas da banda é a repetição, aqui a parada é levada ao extremo e a voz de japa adquire sabores de mantra. Isso é coisa de maluco.

Não fosse, claro, o caso de se ter aqui uma das melhores cozinhas do rock o(c)(r)idental / acidental, que é o baixo do Czukay, a bateria do Liebezeit (arruma um nome mais tedesco?). E a guitarra do Karoli, o teclado do Schmidt e a voz do japonês doido. É que no CAN tudo é cozinha (aqui), eles levam a cozinha pra sala ou levam todo mundo pra cozinha mesmo.

Definitivamente coisa de maluco. Tamo junto.

Filmografia sugerida : The Baader Meinhof Complex (2008)


Azulejaria Popular ::: Os Irmãos Igrejas

Bento Ribeiro, Antonio


Por mais de uma vez já prometi aqui neste blog insignificante um post sobre os irmãos Igrejas, porventura os maiores expoentes desta arte menor :: a pintura naïf em azulejos. Ao me deparar em Bento Ribeiro com um painel de 32 peças datado de 1952 retratando o que bem pode ser uma festa da colheita no País Barroso, entendo que já não se pode adiar esta tarefa, sob a pena de ser bicado pelo corvo de Santo Expedito. Pois bem.

Sabe aquele santinho que você viu numa casinha da Zona Norte (aqui e aqui)? Ele foi provavelmente pintado pelos portugueses Antônio ou Manoel Felix Igrejas que, em 1990, garantiam já ter vendido mais de 30 mil dessas peças desde que chegaram ao Brasil no final da Segunda Guerra. A tradição de estampar na fachada da casa a imagem de seu orago é portuguesa e por aqui os campeões são Nossa Senhora de Fátima e São Jorge. Os irmãos utilizavam-se de quatro azulejos, quase sempre dispostos como losangos, então implantados na platibanda da casa. Essas peças, parece-me, não costumam ser assinadas.

Mas também se dedicavam a paineis, representando paisagens de um gosto escapista, calcadas em estampas convencionais. Tais paineis, geralmente assinados, os encontramos nos espaços internos das casas, como varandas ou alpendres. O de Bento Ribeiro estava dentro de uma garagem! Há exemplares aqui de açougue e botequim.

Seguem registros do que tenho encontrado em minhas flanações. Os do Antonio em São Januário irão ganhar post exclusivo mais tarde.

Aldeia Campista, Antonio

Cachambi, Antonio

Grajaú, Antonio

Centro, Antonio

Ramos, Antonio

Aldeia Campista, Manoel

Vila Isabel, Manoel

São Januário, Manoel

Friday, May 15, 2015

O Vasco. Por aí

Morro da Conceição
Nada de fotos fáceis de dias de jogo. A ideia é captar o que se encontra por aí.

Icaraí

Bento Ribeiro

Grajaú

Grajaú

São Cristóvão

São Januário

Ipanema

Caju

Monday, May 11, 2015

InstaGrajaú 6



Faz uns três meses desde que postei a última da série. Ao tirar umas fotos hoje, percebo que já há material para mais uma...












Sunday, May 10, 2015

As Pedras Portuguesas do Antigo Zoológico

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Aqui no Antigo Zoológico nasceu o jogo do bicho, loteria tipicamente brasileira e ainda hoje relativamente fora do controle do Estado. Visando a aumentar os ganhos do seu parque, do qual era fundador e proprietário, o Barão de Drummond criou o jogo em 1892. Em sua chegada, o visitante escolhia um dentre 25 bichos, que eram então sorteados. Desconheço qual era o prêmio.

Salvo jogadores contumazes, ninguém sabe qual o número da borboleta, do porco ou do touro ou, inversamente, a qual bicho corresponde o número 6. Mas ninguém minimamente versado em linguagem popular desconhecerá que o veado é o número 24. 

Aliás, os bichos são listados numa ordem alfabética frouxa, em que o avestruz vem antes da águia, o burro precede a borboleta, e o veado, a vaca. 

A expressão "fazer uma vaquinha" também vem do jogo do bicho e está intimamente ligada ao C.R. Vasco da Gama, mas isso já é outra história.

O Antigo Zoológico está melhor do que já foi, mas continua merecendo maiores cuidados. O gradil da entrada pertencia ao campo de Santana que o perdeu por ocasião da abertura da Presidente Vargas. A reparar também nos belos paineis de pedras portuguesas na sua calçada. Isso é patrimônio.

s/n

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É muita falta de sacagem (de camarão) ou Pô, sacanagem com o camarão



Como este ano foi provavelmente o que mais acompanhei o festival Cumida di Buteco (e olha que comecei desconfiado, conforme relatei aqui), tendo visitado mais de dez botequins, de Oswaldo Cruz ao Humaitá, passando por Centro e Tijuca, entrei numas de fazer o meu próprio petisco. Cumpria, naturalmente, seguir a regra do uso da fruta. Cumpria também fazer um petisco, algo que mais despertasse a fome que a exterminasse.

Pensei então na sacanagem, famoso petisco carioca dos anos 60 e 70, que consiste num palitinho com azeitona, palmito, salsicha e queijo. Tem fama de brega, o que acho ótimo. A sacanagem do nome é que às vezes trocava-se o queijo por alho cru. Também atende pelo nome de mexe-mexe.

Um falecido botequim carioca, o Paulistinha, tinha uma sacanagem tão famosa quanto o seu chopp, um dos melhores da cidade.

Na minha sacanagem entraram azeitona, palmito, camarão e manga. Em alguns fizemos com naquinhos de melancia. Os palitos devidamente espetados no repolho coberto por papel laminado.

O nome do prato completo :: "É muita falta de sacanagem (de camarão)" ou "Pô, sacanagem com o camarão".


Friday, May 08, 2015

Futebol Império Ltda.

Vila Velha


Estive recentemente em Vila Velha, onde tinha tripla missão :: visitar o convento de Nossa Senhora da Penha, passear pelas praias e trazer uma camisa do Vilavelhense F.C., time pelo qual Túlio marcou seu 999º gol.

Amei o convento, foi delícia andar pelas areias com a Camila e acabou, nada de camisa. Frustrado sim, mas não de todo espantado. Afinal, neste ano mesmo Camila esteve NA SEDE do Galícia Futebol Clube, em Salvador e também voltou de mãos vazias.

No centro histórico de Vitória camelôs vendem Real Madri, Barcelona, Bayern, Chelsea e os grandes de Rio e São Paulo, com ênfase na dupla preferida da mídia, Flamengo e Corinthians. Nada de Vitória, Desportiva, Colatina, Serra! Nada de Vilavelhense F.C., time onde Tùlio esteve à beira de se igualar a Romário e Pelé!

Ouso dizer que o imperialismo no futebol nunca foi tão forte. Todos querem ser grandes, os maiores de todos. Claro que razões mercadológicas te fazem querer ser isso, mas não se percebe assim.

Na quarta-feira passada visitava um botequim em São Cristóvão quando me vieram avisar, por duas vezes, que o jogo já tinha começado. Que jogo? Ah, Barcelona X Bayern. Claro que gosto de ver futebol bem jogado e, aliás, adoro o Messi, gênio. Mas eu ainda estava literalmente de ressaca (a mistura de Itaipava em lata sem alcool quente com Laphroaig é dangerosíssima) pela conquista do Vasco no domingo! E pela Portuguesa Carioca no sábado! Então, por favor, deixa quieto aproveita e traz agora aquele caldinho de feijão.





Tuesday, May 05, 2015

Gozando Junto IIIIIIIIIIIIIIIIII ::: Na Torcida do Vasco



Claro, ainda na maré das comemorações, segue uma série de Gozando Junto (contem os pauzinhos!) com registros entre a torcida vascaína. Não se trata, no entanto, de tomadas da decisão de domingo passado, mas de um jogo contra o ABC, em novembro de 2014.